28 março, 2010

Lou Reed e o álbum maldito


É um álbum maldito da história do rock (e se formos rigorosos, de toda a história da música). Lou Reed, uns anos após o fim dos Velvet Underground, em 1975, grava essa infâmia e embuste (para uns) ou obra genial e premonitória (para outros tantos): "Metal Machine Music". Num aspecto todos estão de acordo: trata-se de um registo radical, concebido e gravado sem concessões, feito à base de feedback de guitarra e de manipulação de ruído branco. Reed diz que gravou o disco completamente pedrado. Acreditamos. Já foi considerado o pior álbum de rock de sempre; e já foi incluído na lista dos discos mais inovadores de sempre. Em que ficamos?
Na verdade, o disco vale sobretudo como testemunho conceptual, mais do que estritamente musical. Deve tanto ao rock de guitarras dos Velvet como aos princípios estéticos e teóricos de La Monte Young, de John Cage ou dos concretistas Pierre Schaeffer e Pierre Henry. Deve também à teoria dos "intonarumori", as célebres máquinas de produzir ruído industrial do futurista italiano Luigi Russolo. E é um disco que influenciou artista tão diversos como Sonic youth, Throbbing Gristle, Merzbow e todos os subgéneros do noise, do industrial e do electro-acústico. Ouvi-lo não será o mesmo que ouvir Robert Wyatt ao entardecer enquanto se bebe um martini (que raio de associação!). Ao longo destes 30 e tal anos, não acredito que alguém, alguma vez, tenha ouvido "Metal Machine Music" do princípio ao fim sem ter tido lesões cerebrais irreversíveis. Mas quem sabe, tratar-se-ia de uma experiência limite no teste à capacidade auditiva humana. Não eram os Einstürzende Neubeutan que diziam que "é preciso ouvir com dor"?

9 Comments:

At 28.3.10, Blogger O Cardoso said...

Acredites ou não, ainda hoje estava a ouvir Robert Wyatt enquanto bebia um gin tónico (falhei o martini). E também, embora tenha o MMM, confesso que nunca o ouvi de principio ao fim...

 
At 29.3.10, Blogger Rodolfo said...

hor mit schmerzen :)

 
At 29.3.10, Blogger Silva said...

Eu já o ouvi três vezes, a primeira das quais a volumes pouco recomendáveis (embora a questão seja sempre: o que pode ser considerado "recomendável" neste caso. 0?) Acho que os danos já lá estavam, seja como for.

Ainda gostava de saber era se a história que ele gravou o álbum em casa, para desespero dos vizinhos, se confirmar. Muitos dariam um braço para poder ouvir o que acaba por se tornar num ícone da música, mas acho que neste caso deram os ouvidos.

 
At 29.3.10, Blogger António Matos Silva said...

também há quem diga que o álbum era uma obrigação contratual e ele o fez assim só para se poder desvincular de uma editora.

seja como for, o que ele disse é a mais pura das verdades "só um louco é que ouviria este álbum do início ao fim".

 
At 29.3.10, Blogger Luis said...

"só um louco é que ouviria este álbum do início ao fim"

Discordo! Só um louco diria isso....

No entanto, apesar de ter os seus momentos sempre me pareceu que este disco é um pouco sobrevalorizado - e nunca teria a atenção que tem se não tivesse sido gravado por um músico "mainstream".

 
At 30.3.10, Blogger Carlos said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 30.3.10, Blogger Carlos said...

Duvido que haja muita gente a meter isto na aparelhagem e ouvir frequentemente. Não deixa de ser um album interessante de um ponto de vista estético mas não acho que proporcione uma boa experiência musical aos ouvintes.

 
At 30.3.10, Blogger ::Andre:: said...

Não conheço e se o texto já era convidativo os vossos comentários também. Fiquei curioso embora confesse que o nunca meti o Reed em nenhum pedestal.

 
At 30.3.10, Blogger Alex said...

frequentemente não ouço, mas muito de vez em quando ainda vai passando! :P

 

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