16 maio, 2008

Curtas...

Æthenor - Betimes Black Cloudmasses [VHF, 2008]
Já por aqui falei deste projecto que une SOMA (Sunn O))), etc), Daniel O’Sullivan (Guapo) e Vincent De Roguin (Shora), os Æthenor. Quem está familiarizado com o trabalho destes senhores então o melhor é mesmo esquecer tudo o que já ouviu pois apesar da linguagem do doom/ drone estar quase sempre presente, este segundo álbum do trio maravilha (com vários convidados, entre eles Kristoffer Rygg dos Ulver) são 34 minutos de experimentalismo, electrónica refundida, percussão jazzística e frenética e tons de baixa frequência. É frio e quente, uma autêntica banda sonora para todas as situações que tenham um contraste entre si. Se estiverem fartos de sons convencionais, eu estou, então projectos como este podem ser a alternativa. Onde perdem na emoção, quando perdem, ganham na intelectualidade.
Altar of Earth - Gloomlore [2007]
Para mim, hoje em dia é complicado descobrir novas bandas. Se é verdade que há cada vez mais plataformas para se descobrir novos sons, também é verdade que há custa disso há cada vez mais bandas que… Ziltoid as ajude. É evidente que toda a gente tem o direito de fazer o que bem lhe apetece, mas sou cada vez mais selectivo nas minhas fontes e nas respectivas escolhas auditivas. Pensei duas vezes se queria ouvir este trio de Phoenix e não estou nada arrependido, pelo contrário. O que eu não sabia é que estes rapazes são alguns dos ex Graves At Sea, se soubesse não teria pensado tanto. O som não está longe dos Graves, aliás, é tão similar que a 20 Buck Spin recusou contratá-los depois de ouvir esta demo. Vão-se arrepender, mais dia menos dia estão na Southern Lord… Fãs de Khanate, Corrupted, Burning Witch, etc, espreitem que vale a pena.
Asva - What You Dont Know Is Frontier [Southern 2008]
Lindo, assombroso, ENORME, este novo álbum dos Asva é uma catarse!
Para quem não sabe, os Asva são sobretudo um projecto de G. Stuart Dahlquist, antigo membro dos míticos Burning Witch e Sunn O))). Dahlquist compõe o esqueleto dos temas e depois convida amigos a participar num autêntico orgasmo musical. No primeiro trabalho – um split – tivemos Dylan Carlson (Earth), por exemplo. Em 2005, no álbum de estreia, Jessika Kenney (Wolves in the Throne Room) também lá esteve, mas a maior parte dos colaboradores vão-se mantendo. São eles Trey Spruance (Secret Chiefs 3, ex Mr. Bungle, etc), B.R.A.D. (Burning Witch), Troy Swanson (Mabuse), entre outros sem nunca esquecer um dos melhores produtores do género: Randall Dunn. Toby Driver (Kayo Dot) foi outro dos colaboradores, cantou no último tema – “A Trap For Judges” – mas o resultado final não foi o esperado e acabou por não ser a versão escolhida. Drone/ doom/ ambient, chamem-lhe os nomes que quiserem mas este é o Clássico que os Sunn O))) nunca editaram. E mais: nunca a palavra ÉPICO descreveu tão bem um álbum como este. Para já, é o meu preferido do ano.
Gregor Samsa - Rest [Own Records 2008]
“Sometimes sad, sometimes angry, never fast, always slow”, é este o som dos Gregor Samsa. Rest, terceiro album na carreira destes, é o resultado de 9 meses a trocar composições por e-mail. Intimista, clássico e elegante, é definitivamente um “grower”. Não é imediato, não nos consegue arrepiar como o anterior 55:12, mas é um álbum muito harmonioso. Transmite-nos calma, sossego, sobretudo graças ao piano/ celesta. Digamos que o 55:12 está para a madrugada profunda como este Rest está para um belo final de tarde chuvoso. Os Gregor vão ser grandes, pode demorar mas vão chegar lá. Melancolia…

La Ira de Dios - Cosmos Kaos Destruccion [World in Sound Records 2008]
Depois do os termos trazido cá, este já não é um nome assim tão desconhecido pelo menos para quem visita o tasco. Mal ou bem, quem está a ler estas linhas já deve ter uma ideia do som destes peruanos. Embora mais directo e frontal, a etiqueta Space-Rock mantém-se. Grandes riffs e muita pedalada, estes gajos sabem sem dúvida fazer a festa. Mas como pessoalmente prefiro o anterior, há aqui algo de diferente que tenho de destacar: a produção. Lembro-me que antes do concerto falamos sobre a admiração e o carinho que eles têm pelas antiguinhas k7s, e o som deste álbum lembra-me exactamente isso. Terá sido propositado? Talvez, o que sei é que juntando isso ao exotismo de serem peruanos e terem canções do caraças, então há que dizer que temos álbum. Caos!!!
Russian Circles - Station [Suicide Squeeze 2008]
Andava cansado de bandas instrumentais, andava cansado sobretudo da mediocridade. Não conhecia (ainda não conheço) o anterior Enter, mas decidi arriscar e espreitar este Station. Foda-se, que bela ideia!!! Não ouvia um álbum tão cheio de pica e cheio de riffs gostosos há muito tempo, muito mesmo. Sim, aqui não há novidades, é pós-rock instrumental à lá Pelican e afins mas continuo a achar que o que é bom é para ser descoberto e ouvido. Mais, neste género musical não interessa se os temas têm 2 ou 14 minutos, a essência está no riff e não me lixem, a “Station” e a “Young Blood” têm os riffs do ano, esta última então só me apetece fazer headbanging até ficar com o pescoço dorido. Resumindo, com um álbum tão compacto, preciso e com a “essência” em doses saudáveis, os Russian Circles carimbaram o acesso à Champions. Altamente recomendável!!!
Scott Kelly - The Wake [Neurot 2008]
"The weather never changes in my world"…
Sempre sombrio, Scott Kelly é um dos poucos músicos que transmitem aquilo que por vezes pensamos e não dizemos. Com apenas uma guitarra acústica e a sua voz, e neste caso a simplicidade e o minimalismo vale tudo, o vocalista dos Neurosis explora o seu caminho sobre a ousada e crua contemplação dos limites da nossa existência, de fracassos e esforços, do facto de estarmos vivos e da vida ser isto, isto agora, isto agora mesmo. Talvez possa ser pessimista para alguns, mas há quem encontre conforto no desconforto, na melancolia. O único “defeito” deste álbum é sair praticamente ao mesmo tempo que o do Steve Von Till. De resto, os sete temas deste “despertar” bem podiam ser a banda sonora do fim, do fim de… qualquer coisa.
Secret Chiefs 3 - Xaphan Book of Angels Vol. 9 [Tzadik Records 2008]
Que o Trey Spruance (capa da nova Rock-A-Rolla) não precise de apresentações é uma coisa, agora categorizar este álbum é outra. A convite de John Zorn, ele pegou nestas composições e deu-lhes o seu cunho pessoal. É uma viajem quase infinita entre pinceladas cinemáticas de funk, surf, world (principalmente arábica), techno e um montão de outros estilos típicos nos trabalhos de SC3. Nestas alturas não queria trabalhar numa loja de música, não queria mesmo. Espreitem a “Asron” ou a “Labbiel” e deixem-se levar.
Sightings - Through the Panama [Load 2007]
“Acessível” e “noise” nunca se deram bem na mesma frase e creio que assim vai continuar. Confesso que à primeira audição isto não me soava a Sightings, não aos Sightings da Load carregados de electricidade estática que eu conhecia. Mas, estava tão excitado com a possibilidade da vinda deles ao Porto que acabou por ser um excelente companheiro durante várias semanas. Infelizmente, ou talvez felizmente, a passagem pela Invicta ficou sem efeito, mas isso não me tirou a vontade de avisar a tripulação que este é um dos álbuns ideais para uma festa em casa. Os anteriores, e confesso que não os conheço a todos, também o eram mas ao fim de uns minutos dificilmente teríamos mais que meia dúzia de pessoas. Emprestassem os Liars, por exemplo, algum do hype que têm e esta banda talvez tivesse a projecção que merece. Sendo assim, lamento muito o facto de não subirem ao palco no Porto mas os álbuns vão continuar a rodar. 28 de Junho no Museu de Chiado em Lisboa. Podendo…
Touched by a Janitor - New Rule To Self [Feudal Enterprise 2000]
Finalmente encontrei este album… Os Touched by a Janitor são Joe Goldring, Kevin Thomson e Joe Byrnes, ou seja, são os Enablers sem o vocalista, daí já dá para ter uma ideia do som. Seis temas instrumentais para fãs da banda da Neurot, Don Caballero etc que apesar de não serem nada de outro mundo merecem uma espreitadela.
We Made God - As We Sleep [2008]
Sendo estes “We Made God” provenientes da Islândia, podia ser coincidência e cliché referir os Sigur Rós como influência. Não é, este quarteto que com jeitinho até poderá vir a ser a próxima exportação islandesa inspira-se nos seus conterrâneos sobretudo nos momentos mais atmosféricos. Junte-se a isto uns riffs musculosos à lá Deftones (dispenso piadas), uma voz que parece querer despertar todas as auroras borealis de uma vez e, num dia bom, até temos um álbum simpático. O problema aqui, tirando a inexperiência, é a qualidade da produção embora se compreenda ou não fosse todo este trabalho financiado pela própria banda. Estão a surgir boas críticas, talvez tenham sorte…

12 Comments:

At 16.5.08, Blogger Pedro said...

Depois de ler essa rev aos Aethenor fiquei ainda com mais vontade de pegar no disco. Também tem a benção do caríssimo Kristoffer.

As séries Book of Angels da Tzadik trazem sempre paisagens diferentes... Seja Xaphan, Orobas, Malphas, Azazel..... encontra-se desde o jazz bonito e erudito de Mark Feldman e Sylvie Courvoisier, passando pelo som tradicional de Koby Israelite ou Masada em formato de String Trio, não gosto muito deste último... Secret Chiefs é banda ideal para traduzir um pouco do imaginário da Tzadik. Ah existe um disco de John Zorn que provavelmente é uma negra ironia, como outros, chamado The Book of Heads mas é fraquinho.... :p

Os We Made God emulam uma sonoridade que já há algum tempo que deixou de surpreender. Sem surpresas e um bocado monótono.

Gostei muito de ler essas reviews todas - excelente trabalho. Um sorriso especial para o texto de Scott Kelly.

 
At 16.5.08, Blogger Crestfall said...

Tb ainda estou para ouvir AEthenor e com essa boa gente só pode realmente ser coisa boa. Olha que ainda não gostei tanto deste ASVA quanto do futurists, mas isso também está longe de fazer com este disco seja mediano e de qq maneira rodou muito pouco e em ambientes pouco favoráveis para ser uma opinião formada. Espero que Gregor Samsa cresça mesmo, a constante cadência serena não me despertou muitas emoções... La Ira \oo/
Não conheces o Enter?, Ouve, também é grande disco, pá! Essas duas que mencionaste têm grandes Riffs sim senhor, e também gosto muito da mais melancólica Versus. não lhes chames é Pós-rock :D
Secret Chiefs só ouvi 1 vez e Scott aidna népia. E gente, oiçam Sightings :p

 
At 16.5.08, Blogger eduardo said...

Russian Circles está potente. O anterior também é bom.

 
At 19.5.08, Blogger ::Andre:: said...

Pedro,
O próximo dos Aethenor também sai este ano e conta com voz e textos do Tibet :)

Talvez espreite mais trabalhos relacionados com isso.

Monótono? Talvez um pouco, mas não os arrumo de vez.

Escreves sobre o Till? :P

 
At 19.5.08, Blogger ::Andre:: said...

Crest,

Foste tu que me deste a conhecer Asva com o Futurists. Lembro-me pouco, mas na altura não me disse grande coisa. Já este novo veio no momento ideal e até me fez recuperar o split com Burning Witch, são a minha banda do momento. Não o encontro é a preços decentes...

Porque não pós-rock? Até onde vai o pós-rock? Alguma coisa tens que chamar, será sempre assim...
Em breve ouço o Enter ;)

 
At 19.5.08, Blogger Crestfall said...

Fui? Eu só te apresento coisas boas! Então ouve o futurists agora ;-)

Instrumetal. :-p

 
At 19.5.08, Blogger Pedro said...

"O próximo dos Aethenor também sai este ano e conta com voz e textos do Tibet :)"

Muita expectativa em relação a isso.

"Escreves sobre o Till? :P"

Ainda não ouvi o disco... mas pode ser que acabe por o fazer...

 
At 19.5.08, Blogger ::Andre:: said...

Foste, mas na altura não sabia quem eram os Burning Witch quanto mais o Dahlquist :P

Instumetal seja. O original (novinho, 9€ com portes) chegou hoje a casa :)

 
At 19.5.08, Blogger ::Andre:: said...

Também Pedro, mas primeiro há que absorver este.

Nunca o Till soou tanto a Mark Lanegan, as parecenças até assustam!

 
At 21.5.08, Blogger Pedro Nunes said...

André penso que és fã das cenas do Lanegan.... recomenda-me um disco dele...

 
At 21.5.08, Blogger ::Andre:: said...

Grande fã, tenho alguns discos dele lá em casa e isto sem contar com QOTSA ou Screaming Trees. Ultimamente ando desligado, Soulsavers, Gutter Twins e mesmo as cenas com a Isobel não me entusiasmaram muito.
Aconselho-te o Whiskey for the Holy Ghost ;)

 
At 22.5.08, Blogger amebix said...

Mark lanegam:Começa no 1(Winding Sheet)passa pelo 2(Whiskey For The Holy Ghost) e acaba no 3(Scraps At Midnight)

 

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