21 abril, 2010

Arvo Pärt

Seguindo a tónica de clássico e começando a de ambiente, o trabalho de Arvo Pärt é de longe o que me tem feito mais companhia neste último ano. O reportório deste Estónio é em grande parte centrado em temáticas religiosas, e não é por acaso que a sua música transporta consigo esta religiosidade. Munida de uma quietude e pureza intocáveis, é bem conhecida a história em que doentes em fase terminal com SIDA pediam para ouvir a sua obra Tabula Rasa de 1977 vezes sem conta, após as passagens regulares de uma das enfermeiras como forma de atenuar de alguma forma o impossível.

Um dos meus primeiros contactos com a obra de Pärt foi no ano de 2006, na TV2 numa Curta chamada Phantom Limb de Jay Rosenblatt. São 28 minutos sobre luto e morte, difíceis de tolerar, mas filmados com uma beleza única - apenas possível por alguém que perdeu o irmão quando tinha 7 anos. Imediatamente comprei o DVD e ficou na prateleira desde então, pois não é um filme que seja para rever mas sim para possuir. Quando vi a primeira vez foi este excerto que me chamou a atenção pela música, e não conheço muitas coisas tão triviais (imagem e música) que em conjunto digam tanto. Quando recentemente esta música entrou em loop eterno na minha playlist, de alguma forma tive o presentimento que era a do filme. Confirma-se.




E por fim, algo bastante recente de um outro músico, que tenho acompanhado desde 2007 com o excelente Daydreaming, e que antecipou este tópico ao ver que a edição está praticamente esgotada. Trata-se de Rafael Anton Irisarri, que acabou de lançar um novo EP (apenas em vinyl) e que inclui uma versão do Für Alina de Arvo Pärt. Só já está disponível aqui, por isso os interessados podem encomendar asap.



Muito do que se anda a fazer neste florescente reino de ambient/classical tem muita raíz no trabalho de Pärt (Rafael Irisarri, Ólafur Arnalds etc), mas quem os pode censurar?

4 Comments:

At 21.4.10, Blogger Neuroticon said...

Arvo Pärt é MUITO bom, mas MUITO bom mesmo!
Uma obra transcendental e que nos faz sentir a pura beleza da musica...

O Alina e o Tabula Rasa são dois dos melhores discos de sempre.

 
At 21.4.10, Blogger Crestfall said...

Bem pesada (emocionalmente) a música de Arvo!

 
At 21.4.10, Blogger supernaut said...

esta versão acrescenta qualquer coisa de ravel (aquela densidade negra dum gaspard de la nuit - les gibet, nos dedos da martha argerich).

acho que a influência do part vai muito além do ambiental/neo clássico - a sua capacidade de criação de dinâmicas minimalistas é inigualável e tornou-se presente em muita da música moderna. falo por mim, pelo menos.

 
At 8.5.11, Blogger Marlene said...

Olá!
Vou ter que fazer um trabalho sobre Arvo Parte, mais concretamente que tipo de religiosidade tinha este homem tendo em conta as suas composições musicais. Alguém me pode ajudar ou dar opiniões?

Obrigada

 

Enviar um comentário

<< Home