25 agosto, 2010

Product placement

Sempre que vejo uma marca/ logo num filme/ série fico a pensar se será negócio – Product Placement – ou livre vontade do realizador/ argumentista. O Homem que sabia demasiado explora o tema neste tópico mas continuo confuso com o que/ não engloba.

Será que todos os produtos que vemos nos filmes ou séries fazem parte do Product Placement? Terá a Apple pago para que Dexter passe a vida a navegar num Macbook Pro? Sofia Coppola terá optado rodar Lost in Translation em Tóquio por causa do whisky Suntory? Terá a Continental Airlines pago para que Jack e companhia tenham sofrido o acidente num dos aviões da sua frota? Neste caso, não seria prejudicial à marca ou apesar da explosão mais famosa dos últimos tempos os americanos querem mesmo viajar na companhia área dos seus ídolos de Lost? E a Lucky Strike a Don Draper? E cada vez que alguém pede ou bebe uma Coca Cola/ atende uma chamada no seu iPhone? Acredito que sim…

Mas terão os condóminos da Torres Blancas (Madrid) pago a Jarmusch para que o Lone Man passasse os seus dias lá? Seria uma boa campanha imobiliária, mas não creio. E terá a Too Pure pago para que as extintas Electrelane fossem mencionadas no recente Io Sono L’Amore? Qual seria o objectivo? Não creio, nem mesmo quando vejo a personagem de Seth Rogen a usar uma tshirt dos Sonic Youth no “Virgem aos 40 anos”. E no maravilhoso Alta Fidelidade, por exemplo, seria impossível não acreditar na genuinidade do texto e achar que todas as referências musicais seriam product placements.

Presumir que cada pormenor seja premeditado e negociado é demais para mim, a vontade artística de quem os realiza e produz também tem que contar. Que vos parece?

6 Comments:

At 25.8.10, Blogger Ska said...

Quanto ao Lost, a companhia é a oceanic. É fictícia, usada por Hollywood sempre que querem explodir um aviao.

Acho que todas as marcas sáo product placement, ninguém vai fazer publicidade gratuíta a outrem; a única excepcao é precisamente a cultura pop, tipo nomear bandas ou filmes ou séries, como os Sonic Youth.

 
At 25.8.10, Blogger Neuroticon said...

Ha uma entrevista com o grande Buzz em que lhe perguntam o que acha de serem mencionados 2x no filme Juno como uma das melhores bandas de sempre, o Buzz responde que usam o nome deles, gostam muito e tal mas dinheiro...? nem um centimo receberam!

:)

 
At 25.8.10, Blogger ::Andre:: said...

Ska, que grande falhanço da minha parte. Claro que é a Oceanic!!!

Neuro, era suposto? Estão a ter o tal product placement de forma gratuita. Também não sei como chegam à conclusão se, neste caso, ganha mais o filme ao ter esta referência ou a banda ao ser exposta no filme. Tendo em conta o sucesso do Juno, diria que foi a banda. Um dia destes espreito uns livros sobre isto..

 
At 25.8.10, Blogger Neuroticon said...

Concordo com o que dizes ;) A banda teria mais proveito neste caso!

As editoras pagam a muitos filmes para artistas seus serem mencionados, mas alguém acredita que a Ipecac financiasse o Juno para ter uma banda mencionada lá? ;)

 
At 25.8.10, Blogger Scometa said...

Acho que product placement não se aplica a bandas. Uma coisa é pagar os direitos de uso de propriedade intelectual, o copyright, outra é o uso de um produto comercial com fins lucrativos. Pode até ser que isto aconteça com certos músicos/bandas que, mais do que música ou arte, são apenas um produto. Mas o mesmo não se pode dizer de bandas como Sonic youth ou Melvins.

QUanto ao product placement em si, principalmente nos states, o financiamento dos filmes, sendo todo feito através de financiamentos privados, tem que recorrer várias vezes a esta técnica. Isto não me parece que afecte a vontade artística do realizador, mas este terá que saber coadunar essa vontade com o trabalho dos produtores, que é o de tornar viável o filme.

 
At 26.8.10, Blogger Carlos said...

Desde que não seja usado de forma descarada, aumenta o realismo. Prefiro isso a ver os personagens a consumir marcas fictícias.

 

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