27 abril, 2011

Ainda compensa ir ao cinema?

Bilhetes a roçarem os 6 euros; 21 minutos de publicidade depois da hora marcada com três ou quatro trailers pelo meio de alguns segundos cada; intervalo de 7 minutos que não serve para nada a não ser para o tipo de trás que atendeu o telefone durante o filme ir encher o balde de pipocas e mastigá-las de boca aberta; o deslocar a um shopping pois no Porto já não há cinemas*. Enfim, ainda compensa?

Nos dias de hoje os lcd e os sistemas de som nas salas de estar já são uma realidade banal; nos dias de hoje podemos ver um filme acabadinho de sacar, em casa, com ou sem pipocas e com a companhia que desejemos, que ainda nem sequer estreou nas salas de cinema. Não, não é um incentivo ao download, mas sejamos realistas pois é o que acontece. A forma de contribuição fica ao critério de cada um, haja bom senso. Mas já reflectiram o porquê de cada vez menos irmos menos ao cinema?
O asterisco em cima não é por acaso, existe de facto um cinema a sério no Porto (sorte a vossa lisboetas, grande azar para o resto do país) que é o Medeia no Campo Alegre. É uma sala onde os filmes custam 5€ ou 3,50€ e começam a horas, são na generalidade passados em 35mm, a roupa não cheira a McDonald’s quando nos sentamos, as pessoas respeitam-se e apreciam o filme até aos créditos e respectiva banda sonora final (isto num Zon é impossível, mal acaba toda a gente se levanta e entre vestir o casaco e pegar nos sacos das compras já os créditos iniciais se foram)…
Não é de todo um desabafo elitista, bem longe disso, mas esta cultura do Centro Comercial e o monopólio da Zon, com o devido respeito pelo seu mérito, veio prejudicar o Cinema. Podia ir mais longe e ainda contar um ou dois episódios de gente que está por dentro, mas não o vou fazer. Vou apenas terminar estas linhas dizendo-vos que O Discurso do Rei vale pelo Colin Firth, que O Código Base do Duncan-Moon-Jones é um interessante e recomendável filme de ficção-científica, e o regresso de Monte Hellman ao fim de 20 anos é bem lynchiano onde cabe a cada um de nós resolvê-lo. Se o conseguirmos…

12 Comments:

At 27.4.11, Blogger Scometa said...

O Duncan Jones tem um grande futuro pela frente. Começar uma carreira no cinema com estes dois filmes, exemplos perfeitos de um conhecimento cinematográfico requintado, com um Kubrik ou Hitchcock a espreitar por detrás de cada enquadramento ou dos intensos desenvolvimentos narrativos, não é pra qualquer um. Bem, sendo fiho de quem é, decerto teremos mais um génio nas artes :D

Quanto ao que se passa no cinema, não podia estar mais de acordo contigo, exceto que gosto de comer umas pipocas, mas poderia passar bem sem elas. Nao temos alternativas, pois o cinema do campo alegre é demasiado insuficiente para responder às necessidades cinéfilas do público nortenho. O monopólio da Zon, como todos os monopólios, só serve para estupidificar as audiências e para afastar um público mais exigente das salas.

A soluçao quanto a mim passa por alguém descobrir como puxar esse público dos downloads para um espaço não só de visionamento como de convivio e de discussão

 
At 27.4.11, Blogger João Veiga said...

aqui no cinema do Cascaishopping o Sucker Punch tinha direito a uma sala média/grande e a ecrã digital...

O Source Code ficou na sala mais pequena e com projecção... :\


e... ya é isso lol.
Para ver filmes na zon/lusomundo só mesmo com Zon Card. Tem é de se ter um par sempre disponível e que goste também...

 
At 27.4.11, Blogger joão sobral said...

esse monopólio do cinema é uma merda! mete nojo!

há o campo alegre que tem uma sala e, com sorte, três sessões por dia, mas que penso que é um bocado deslocada do centro também. terem deixado ao abandono as quatro salas do bom sucesso foi realmente uma pena... só há dinheiro mesmo é nos shoppings e nos supermercados, é o tal monopólio...

para além do tca, valha-nos as sessões que se vão fazendo no passos manuel, mas era tão bom que houvesse mais sítios onde ver bons filmes.

 
At 27.4.11, Blogger Nuno Teixeira said...

CINEMATECA!

 
At 27.4.11, Blogger David said...

Tudo o que tenho a dizer é:Parque Nascente.

Fui lá ver o source code por 3€. Eles têm lá um cartão que se forem estudantes universitários, ficam com o cinema a 3€ (aumentou 5 centimos porque até ao ano passado era a 2.95€).

Tirando estreias, não interessa em que dia da semana vão, ou a que sessão. O vosso bilhete é sempre a 3€

 
At 27.4.11, Blogger Neuroticon said...

Não sabia disso David, bilhete a 3€ é nice ;)

Eu ainda vou muito ao cinema, sensivelmente uma vez por semana, e sim, vejo filmes maus, mas vou pelo culto de "ir ao cinema", mas infelizmente o monopólio da Zon estupidifica realmente as audiencias... não nos dão grande escolha. Somos obrigados a ver filmes americanos e ponto final. É realmente triste.
Quanto ao TCA estar deslocado, isso depende do ponto de vista. Para mim é perfeito :p

 
At 27.4.11, Blogger Pereira said...

Medeia Card resolve. 15€ por mês, dois filmes por dia. E filmes bons,na sua maioria...

 
At 28.4.11, Blogger ::Andre:: said...

Com o fecho das salas do Bom Sucesso, o Porto já não tem Medeia Card... Mas sim, se vivesse em Lx seria aderente.

 
At 28.4.11, Blogger Crestfall said...

O último filme que fui ver foi precisamente o Source Code... ao Parque Nascente :p. Gostei bastante mas não me arrebatou da mesma forma que o Moon, muito por culpa da forma como acaba.

 
At 28.4.11, Blogger ::Andre:: said...

Gosto de pensar que ele neste filme teve que se sujeitar aquele final e tanto eu e tu saberemos em que parte acabaria...

 
At 28.4.11, Blogger Scometa said...

Eu achei o final do Source Code bastante aberto. Aliás, pensem em universos paralelos ;)

 
At 28.4.11, Blogger Pereira said...

Ah ok André, não me lembrei que já não tinham. E concordo que o "Source Code" tinha acabado uns minutos antes...

 

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