09 abril, 2011

Um Dia de Raiva, por João Botelho

11 Comments:

At 9.4.11, Blogger Neuroticon said...

João Botelho tem toda a razão no que diz. Os opinion-makers são a maior praga da actualidade e não vão desaparecer... O Pedro Costa é hoje em dia dos cineastas mais importantes no mundo e tem 500 pessoas a vê-lo em cinema. Como tudo em Portugal, só quando é reconhecido lá fora é que passa a ter algum reconhecimento cá dentro e isso é vergonhoso...

Gostava era de ver a reacção dele ao pequeno vídeo... :p

Não arranjas também o programa todo?

 
At 9.4.11, Blogger 8:16:13 said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 9.4.11, Blogger Scometa said...

ACho que no sapo yem pelo menos mais uma parte do programa.

Tenho algumas opiniões contrárias. Acho que é muito bonito dizer que os criticos portugueses estragam o cinema português com um achincalhamento constante, outra coisa é dizer que o Manoel de Oliveira é um dos maiores cineastas da atualidade. Vamos entrar naquela discussão sem fim sobre o que é cinema, e enquanto para ele (e muitos outros) o cinema não é entretenimento, para mim o entretenimento é um dos seus componentes mais importantes; afirmar também como ele afirmou que um bom argumento não é a base de um bom filme, ou de que a narrativa e a construção de personagens são secundários, eu discordo em absoluto. Posso pegar naquela análise que fiz num post sobre a crítica, e dizer que ele faz parte de um núcleo que intelectualiza o cinema como uma expressão abstrata da psique humana, e eu para além de achar que é uma posição de elitismo cultural (implica um conhecimento vasto sobre noções de arte que pouca gente tem) não vejo o cinema ou a arte em geral assim.

Vir despejar nomes como schoneberg ou truffaut ou godard tentando ridicularizar o cinema de entretenimento e concomitantemente desvalorizando a importância de realizadores como o Carpenter, o mctiernan ou o Verhoeven é para mim tão insultuoso quanto ele se indigna por criticarem filmes em que se filma uma árvore durante duas horas.

Concordo com ele que deve haver espaço para tudo, mas dizer que os filmes portugueses que se fazem com vista a serem comerciais são uma merda porque acabam sempre por ser imitações rascas daquilo que se faz lá fora (o que não deixa de ser verdade) é esquecer-se que aqueles filmes que ele tanto elogia (posso concordar até com a ideia do Oliveira ser um precursor do estilo neo-realista) são eles mesmo uma cópia barata desse tal cinema expressionista e abstrato que se fez por essas escolas francesas, alemãs e russas durante décadas. Se assim não fosse, se eles realmente tivessem esse valor enorme, teriam o Oliveira ou o António Reis ou o César Monteiro a ser falados como se fala num Truffaut, num Schoneber ou num Fellini. Se é isto que acontece, então eu ando a ler as revistas erradas.

Para mim o cinema, acima de tudo, deve ser honesto para consigo mesmo. Tanto um realizador como um argumentista devem seguir aquela máxima grega do "conhece-te a ti mesmo", não porque irão dessa forma inventar um novo género cinematográfico, mas porque é essa honestidade que irá dar aos seus filmes um cunho pessoal e distinto dos outros filmes, em vez de termos cópias rascas do que se faz lá fora, por querermos ser tanto como eles que nos esquecemos de quem somos e de onde vimos.

 
At 9.4.11, Blogger Neuroticon said...

Ya, no sapo tem mais e entretanto até já pus a gravar a repetição do programa!

Eduardo, é óbvio que tens razão em dizer que o cinema também é entretenimento, assim como tens razão em dizer que um argumento é a base de um bom filme. A opinião dele é radical devido ao facto do que se disse antes, quando nos pisam os calos transformamos os nossos pontos de vista em algo bastante mais radical... No fundo, ele tem noção disso mas está chateado pela troça que os outros fizeram...

Quanto a Manoel de Oliveira não posso falar, infelizmente não vi nenhum filme seu, ainda. Mas tem toda a razão em dizer que o César Monteiro é um dos grandes e não encontras por esse mundo fora alguém como ele. É óbvio que ele se inspirou noutras coisas, Chabrol e Rivette são influencias berrantes, assim como a escola italiana do neo-realismo, mas ainda assim não encontras outros filmes como os dele...
O Pedro Costa é grande, tem feito um percurso impressionante e é actualmente um dos realizadores de vanguarda a ter em atenção em todo o mundo. O método com que trabalha, as barreiras que quebra são inovadoras em vários sentidos.

Óbvio que o cinema de entretenimento é bom, dependendo dos dias. Apesar de preferir cinema com enfase na arte, tenho visto quase todos os filmes do Ben Stiller no cinema. Pá, apetece-me também... Agora, acho que se ridiculariza demais o cinema mais "alternativo" e principalmente, não se lhe dá as oportunidades dos blockbusters americanos, isso é que é mau... Deveriamos ser livres de escolher, mas não... se vais a um shopping tens 20 filmes e apenas 2 deles (no máximo) não são americanos. É uma visão um bocado redutora, e ele tem razão também não questão do Porto. É inadmissivel o que se fez...

Agora, obviamente que concordo contigo, devemos fazer todos o que queremos e sermos honestos. Apesar de não ligar muito ao cinema do Spielberg, por exemplo, nota-se que ele é extremamente honesto. É um puto que quer criar todas aquelas historias de fantasia e acção, mas fa-lo de forma muito honesta...

 
At 9.4.11, Blogger Scometa said...

Ouve, eu não estou a dizer que só gosto de filmes do vandaime ou do stalouco. Mas também sabes que durante anos, antes da internet ter globalizado as opiniões fora do mundo académico, não podias ser um verdadeiro crítico se não enterrasses bem fundo qualquer filme que saísse das mãos de um Mctiernan, por exemplo. Esse pedestal em que os criticos ditos especializados se colocaram tornou o cinema mais artsy tão restrito que hoje vês o fenómeno contrário, a teres uma opinião mais alargada que não tem paciência para um Chabrol ou um De Sica. Isto acaba por ser mau. Eu vejo esses filmes, ou os suficientes para saber que não consigo gostar deles da mesma forma que tu gostas, e exemplo disso é eu nao ter gostado de nenhum filme que vi do Pedro Costa.. Há muitos autores fora do mainstream que aprecio, mas não sou grande fã de correntes surrealistas ou de cinema muito experimental. Claro que há excepções, mas esta é a regra geral.

Quanto à divulgação, tu não tens público suficiente para alimentar um mercado português, e é nessa lógica que não vês desse cinema nos shoppings. Mas também te digo que shoppings não é sitio para eles. por alguma razão tens as salas da medeia no bom sucesso fechadas, ou as sessoes de cinema no passos manuel ou campo alegre vazias.

Sinto mesmo muita falta de uma cinemateca aqui no Porto, e de que deveria haver uma rede de suporte muito melhor e mais igualitária na distribuiçao do nosso cinema, e nisso estou de acordo em absoluto com o Joao Botelho

 
At 10.4.11, Blogger António Pita said...

Não vou fazer uma resposta larga acerca disto, pelo menos para já. Mas vou só fazer uma ressalva em relação ao que foi dito acerca do Manoel de Oliveira.

Dizer que o que ele fez/faz é uma imitação barata de outros cinemas europeus...Duvidar, dessa forma quase condescendente que ele é dos grandes autores, com uma Obra, da actualidade...Afirmar que ele não está nos livros como os outros nomes que referiste...Só prova que o problema não são só os críticos, mas também nós próprios.

A título de exemplo, para não acharem que estou como os críticos, a dizer mal por dizer, vejam estas listas: http://alumnus.caltech.edu/~ejohnson/critics/cahiers.html

Oliveira e Costa andam por aí, não? =P

 
At 11.4.11, Blogger Scometa said...

António, é engraçado referires o Cahiers, porque quando eu disse que poderia andar a ler as revistas erradas, estive mesmo para escrever que não lia o Cahiers. Têm bons nomes na lista, sem dúvida, mas a grande maioria fazem parte desse tal cinema que eu considero elitista.

De qualquer das formas, eu não disse que o Oliveira era cópia, nem muito menos o César Monteiro. Mas que há cópias baratas neste cinema experimental há. E gosto muito de ver gajos como o Nuno Rocha ou o António Ferreira desprenderem-se dos clichés europeus (ou os muito agora em voga asiáticos), não para fazerem um filme extraordinariamente original, mas para reciclarem as suas influências do cinema independente dando-lhes o seu cunho pessoal, a sua assinatura. Não precisas de estar sempre a descobrir a pólvora para ser um grande artísta, penso eu.

 
At 11.4.11, Blogger António Pita said...

Sim, este teu último comentário assino quase por completo.

Eu só não aceito - compreendo, no entanto - o dar-lhe o epíteto de elitista. Se quisermos discutir o que é ou deve ser o Cinema, que devem poder existir todas as escolas/géneros/teorias/conceitos, e todas estas questões que em última análise são a razão para uns serem elitistas e outros "filmes de merda", aí ok, há muito a fazer para que todos sejam aceites, compreendidos e apreciados devidamente.

 
At 12.4.11, Blogger Scometa said...

Sem dúvida, tem mesmo que haver lugar para tudo. A questão das parcelas do FICA atribuidas são escandalosas. É público e podes aceder aos valores atribuidos, e ver um Call Girl com 700.000€ de verba é absurdo, tendo em conta os patrocinios privados que o filme recebeu. E tendo em conta que recebeu quase 10 vezes mais que 70% dos restantes filmes consagrados com esse apoio. Por muito que eu nao goste do Pedro Costa, acho que o estado não deve ser visto como empresa que deve tentar gerir os seus investimentos na cultura de forma a apenas ter lucro, mas sim na justa distribuição dentro dos vários géneros artísticos. O exemplo da política de gestão da cultura como empresa dentro do estado tem o seu mais profundo resultado com o fracasso que foi o La Feria no Rivoli, que lá foi parar como o produtor de espetáculos de revista e popularuchos que ia fazer o Rivoli ganhar dinheiro e abandonou-o com uma gestão danosa de centenas de milhar de euros.

 
At 13.4.11, Blogger Luis said...

Ó Scometa, desculpa a frontalidade, mas essa conversa do elitismo e honestidade (como mencionaste noutro post) no cinema já mete nojo. Julgar um filme pelo seu grau de honestidade (seja o que isso for, ou medido de que maneira for) é no mínimo absurdo e sem sentido.

E já não és o primeiro que vem com essas conversas da honestidade - bem hajam, vocês, guardiões (ou metrologistas) da honestidade do cinema.

 
At 15.4.11, Blogger Scometa said...

E oh Luis, porque não usar uma forma de linguagem que dê azo a discussão saudável e não a pancadaria bloguista?

Estás tu farto da conversa da honestidade como estou em farto de ver Botelhos, Costas, Vieiras, Vasconcelos e afins a enclausurar o cinema português, uns com o discurso de que o cinema não é argumento, outros a fazer argumentos em inglês a pensar que são o Tarantino e outros a por as mamas da Soraia Chaves para fazer render um filme.

E pode muito bem meter-te nojo a conversa da honestidade, mas sem ela não há arte. Digo eu.

 

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