24 fevereiro, 2010

Adoro quando ressonas

Estava à procura deste disco da dupla Mats Gustafsson & Paal Nilssen-Love e no blog que o encontrei tinha o seguinte comentário: "plesae STOP all illegal actions..... Its great when people are into the music..... but not in this way. plesae! / mats gustafsson"
Eu sei que esta conversa já tem barbas, mas se não fossem os downloads provavelmente não teria discos nem ia a concertos destes músicos. Por outro lado, imagino o que é estar na pele deles onde investem tempo, dinheiro e talento em algo e depois encontram-no banalizado pelas internets. Sobre este assunto, pergunto-vos: o vosso copo está meio cheio ou meio vazio?

10 Comments:

At 24.2.10, Blogger david celtas said...

Sendo bastante objectivo: olho para essa capa e as probabilidades de o comprar são inferiores a 0,1%. Caso ouça excertos, pode até subir para 0,4, 0,5%. Se ouvir em streaming, epá, pode ser muita bom e a probabilidade sobe para 10%. Olha, se calhar até gostaria mais do disco ouvindo-o no comboio ou na cama antes de adormecer. Se calhar, esse disquito, ouvido em condições adequadas, até me faria gostar ainda mais do conteúdo e podia subir para uns 30, 40, 50%. E se tivesse conhecimento que a edição é toda bonitinha, com artwork que me dê algo mais do que aquilo que já tenho em mp3 (para além da superior qualidade de som) ou com extras, se gostasse mesmo do disco, ainda subia para uns 80 ou 90%. E se houvesse uma edição limitada em vinil colorido ou algo do género? Ora, onde é que está o 'add to cart'?

Este post é dedicado a editoras como a Constellation, a Temporary Residence ou a Drag City. De nada.

 
At 24.2.10, Blogger Neuroticon said...

Acho que o Celtas disse tudo!
A internet dá-nos a conhecer discos que muito provavelmente nunca comprariamos, e com essa exposição, a "mensagem" chega a todo o lado!

 
At 24.2.10, Blogger Maléfico Patético said...

http://3.bp.blogspot.com/_ltKPy93XrJE/SpQqR4SBMhI/AAAAAAAABAg/vRE5KjmKt68/s400/deadkennedys.jpg

 
At 24.2.10, Blogger  said...

"Everyone’s saying it. It’s something worth celebrating. This really means something to people – in these darkened times, like so many before, people look to music to provide uplift, empathy, indulgence, inspiration. So shout it from the rooftops folks! Oh wait, most of those people (ie. people with half a brain) know this already don’t they? Let’s be more specific shall we? Get on the internet, identify a record label, and shout it out to them – email, phone, hack their site, get on down to their HQ in person. Here’s what you’re going to shout: “Despite you it has been a good year in music!”

The music industry has spent the last year telling us that the conditions, where it’s now easier and cheaper to access more music, hear more artists, love their work, is bad for music overall. How are we supposed to believe that the readjustment going on in the music industry is bad for us, when evidence clearly suggests otherwise? What we are paying to fund when we spend a tenner on a CD, is a bloated industry, desperately in need of streamlining and modernisation. Why should we bear that cost?"

http://www.theinevitablenose.com/2010/01/a-great-year-for-music/

 
At 24.2.10, Blogger  said...

eu só recentemente comecei a comprar cds, no tempo de estudante tinha outras prioridades. como tal, tornei-me um ávido consumidor de mp3, no entanto, nunca me senti culpado por isso e continuo-o a fazer regularmente. acho que já o disse aqui antes, mas volto a repetir: o acesso à música nunca foi tão democrático e parece que há muitos grupos de pessoas que sentem falta do elitismo associado à cultura musical. cada um faz a sua opção de como quer ouvir música, quanto a isso nada a fazer. digo mais, é minha opinião convicta que o artista (abordando a esfera musical mais restrita a que este blog se dedica) tem sempre uma relação de beneficio/custo positiva no que toca à pirataria.

nunca considerei o mp3 o bode expiatório da falência do actual modelo de gestão da indústria discográfica, quanto muito foi (mais) um catalizador que revelou as suas falhas.

fica mais um artigo que se debruça sobre este tema, oferece uma perspectiva interessante:

http://invisibleoranges.com/2010/01/to-scion-or-not-to-scion-that-is.html

 
At 24.2.10, Blogger Sergio said...

Já agora, em tom de nostalgia: lembram-se das cassetes? o mp3 é uma "cassete" evoluída :-)
É muito bom poder conhecer muita coisa que de outra forma não sonharíamos existir. No entanto, não deixem de comprar discos!! É um "ritual" que não deixo de ter, até porque o mp3 é muito "vazio" e incorpóreo para o meu gosto.

 
At 25.2.10, Blogger Purple said...

Epá, fui musico por uns tempos e conheci mt gente ligada à música. Tirando as grandes bandas, poucas tiram grande dinheiro das vendas de discos. Ganham-no é tocando em concertos.

That said, saco muita coisa, ouço muita coisa. Há bandas que descobri graças a mp3 de quem possuo hoje a colecção completa de álbums e vários bilhetes de concertos amarrotados algures. Nós não roubamos. Usufruímos. E quando podemos retribuir - quando vale a pena - retribuímos.

Para mais, as coisas estão cada vez mais ridículas. Eu posso ouvir a música na rádio. Eu posso ver ou ouvir na net... o que causa prurido a alguns é que eu ouça o que quero, quando quero. É, cada vez mais, uma questão de controlo mais do que de "posse".

o mp3 é "só" uma velha k7 que todos usavam, mas com melhor qualidade. é só uma maneira de partilhar a BOA música que há. Não é pirataria - essa implicaria a perturbação da normal exploração comercial da obra, vendendo cópias a quem estaria disposto a pagar por elas - é partilha, é cultura. E é daí que se enriquecem as vidas de cada um.

Perdi a conta às bandas que conheci por este meio e que acabei por ver ao vivo, comprar uma tshirt, um dvd... não creio que elas se possam queixar!

 
At 25.2.10, Blogger Pedro said...

já há pouco a acrescentar dps dos comentários anteriores mas ainda fica:

Um músico devia perguntar-se:
"quero que a minha música seja ouvida ou prefiro que fique guardadinha na estante das lojas?"

Isto pq? pq quem gosta vai comprar independentemente de ter o album digital ou não. Liberalizar-lo significa aumentar a audiência. E com isso a base de fans, que tem consequências positivas. :)

 
At 25.2.10, Blogger Rodolfo said...

maléfico e purple: disseram tudo com a questão das K7 (ainda que de maneira distintas).

quando eu era mais novito a malta fazia mix tapes e rodava-as pelo pessoal todo; era assim que ficávamos a conhecer muita coisa que de outro modo não seria possível.

e comprávamos discos, quando havia massa para tal...

na altura a indústria não se queixava tanto e todos eram felizes.

 
At 25.2.10, Blogger pedro said...

Já foi algo que me deu muito que pensar...sou grande consumidor de musica, ouço horas por dia...era grande consumidor de cd's. Mas acho que o problema não está no consumidor de música, mas no produtor, na distribuição, na mentalidade fechada. Os preços dos cd's são muito elevados face ao seu custo de produção. O mp3 veio facilitar o conhecimento de novas bandas, mais que isso veio facilitar o aparecimento de novas bandas e a sua exposição, veio ditar novas regras. Compro cd's, gosto de apoiar uma banda que merece, que faz um bom trabalho, mas o que as bandas ganham é no merchandising e nos concertos que fazem.
Bandas milionárias a conta da venda de cd's contam-se pelos dedos...o resto é tudo lucro de meia duzia de editoras, à custa de bandas e de consumidores que gostam de música.

 

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