12 maio, 2010

Aqui a música é mais à base do som da bomba

O conflito israelo-palestiniano é um tema que divide opiniões e a sua resolução é uma matéria sempre retratada como sendo de grande complexidade. Não querendo transformar este espaço numa plataforma activista, com contornos de uma qualquer inclinação política, não posso deixar de o usar como veículo para, pelo menos, referir um documento que resume, a meu ver, de uma forma muito capaz, o que muitos não vêem, não sabem ou não querem saber.

“Occupation 101: Voice of the Silenced Majority” é um documentário lançado em 2006, dirigido, escrito e editado por Sufyan Omeish e Abdallah Omeish, que se centra nas atrocidades preconizadas pelo governo israelita durante a campanha de expansão territorial camuflada, que continua a ser levada a cabo com o consentimento da comunidade internacional com os Estados Unidos à cabeça.

Por muito que se especule, não há argumento, do ponto de vista dos Direitos Humanos, que justifique o sofrimento infligido aos palestinianos, que ao serem empurrados para "celas em céu aberto" crescem com o espírito de guerrilha a que alguns chamam de terrorismo. Com isto, não quero, no entanto, afirmar que existe uma espécie de violência desculpável.

Ainda que os meios de comunicação social apenas se foquem no epicentro do conflito quando Israel bombardeia Gaza ou a Cisjordânia, supostamente em resposta a um ataque de um rocket al-qassam que cai em território judaico, todos os dias nasce um novo colonato em solo palestiniano, com o intuito de enfraquecer paulatinamente um povo que foi apanhado no meio de uma disputa que o ultrapassa.




site oficial: www.occupation101.com

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17 Comments:

At 12.5.10, Blogger apf said...

que grande documentário!

 
At 12.5.10, Blogger Luis said...

Aproveito também para recomendar o mini-filme "Ici et Ailleurs" do Jean-Luc Godard (em conjunto com Pierre Gorin e Anne-Marie Mielville) - que começa com uma visão da resistência palestiana e deambula depois para questões do significado da imagem, da tv, do ruído de fundo, etc. Mas, acima de tudo, tenta chamar atenção para a forma (simplista) de como olhamos aqui (ici) para o conflito (e outros) que se passa lá (ailleurs).

 
At 12.5.10, Blogger O Homem Que Sabia Demasiado said...

Aproveito para dizer que Meira Asher (israelita) é a cantora israelita que mais abordou este conflito, através da sua música experimental e abrasiva qual Lydia Lunch meets John Zorn...

 
At 12.5.10, Blogger Scometa said...

Não dá para perceber como é que o a História não ensina nada ao Homem. O Carl Schimdt é que tinha razão, ser humano precisa de um inimigo. Sempre.

E é sempre bom ver estes temas abordados num blog com esta relevância. Se temos a ferramenta, que a usemos para o conhecimento.

 
At 13.5.10, Blogger Rodolfo said...

hmm, suspeito que este tópico vai levar à polémica... :)

que seja sadia.

 
At 13.5.10, Blogger ::Andre:: said...

Transforma este espaço naquilo que tu quiseres :)

Quanto ao tópico, já tínhamos roçado (salvo seja) este assunto antes de sermos expulsos do MH, mas de resto concordo contigo. Agora queria era o documentário...

 
At 13.5.10, Blogger Rodolfo said...

Meira Asher foi bem lembrado ;) e já agora, sugiro Muslimgauze para quem não conheça.

 
At 13.5.10, Blogger apf said...

meto-te na drop

 
At 13.5.10, Blogger Joana said...

Preciso sempre ter tanto cuidado a escolher as palavras quando falo destes assuntos. Uso uma palavra mais radical e pumba..automaticamente sou banida da conversa. Tudo tem que ser muito bem explicado e deus me livre de usar meia-palavras. A violência tem mostrado ser, mais ou menos, ineficaz até porque a resistência armada é normalmente mais rude que o atacante armado. De qualquer modo eu, pessoalmente,não consigo julgar alguém que encontra na violência a sua última esperança. O pacifismo é e sempre foi um perigo maior que a resistência armada.

 
At 13.5.10, Blogger ::Andre:: said...

A Meira veio cá recentemente, não veio?

Faz isso Fontoura, faz isso.

Joana, aqui não és banida, diz o que tiveres a dizer. Já sobre a violência como última esperança de resolver algo, está no nosso instinto, parte é natureza, mas não podemos nem devemos ir por aí.
A tua última frase merecia argumentação, queres tentar?

 
At 13.5.10, Blogger bode said...

"Na luta justa que estalou desejamos combater/ Segundo o costume antigo/Que só se lute com palavras, que só se combata com palavras." - Mahãbhãrata, epopéia hindu

 
At 13.5.10, Blogger Joana said...

A mim parece-me lógico que se não fosse a resistência armada de tantos povos (vietnamitas, palestinianos, cubanos etc) já pouco havia no que acreditar e lutar. No entanto, como dizem e bem, a resistência armada desprovida de humanismo não será nunca motor de mudanças.
Eu acho que a questão da violência está sempre presente quer num mundo de pacifistas ou "terroristas".Para mim a pergunta mais acertada (em oposição às perguntas sobre se a violência é justificável, necessária ou eficaz) é: Tem que morrer gente ou não para as coisas mudarem? Eu inclino-me a dizer que sim.

 
At 13.5.10, Blogger ::Andre:: said...

Infelizmente sim, sempre. E, já agora, como distinguir um pacifista dum terrorista? Tou a falar a sério! O André dá o exemplo: aos olhos americanos quando os palestinos se defendem estão a ser terroristas, mas o mesmo já não acontece se for o lado israelita a atacar...

 
At 13.5.10, Blogger ::Andre:: said...

Btw, se a Mossad lê isto... :P

 
At 13.5.10, Blogger av said...

Se quisermos ir mais longe podemos pegar no exemplo de Nelson Mandela, que durante muitos anos foi considerado um dos terroristas mais perigosos para os EUA, país que apoiava o regime racista da África do Sul. De resto o que se passa no conflito referido no texto assemelha-se até certo ponto com o que se passou na África do Sul.

Por outro lado o Irgun, facção proto-israelita armada que cometeu atrocidades como por exemplo o massacre de Deir Yassin, era considerado pelos ocidentais como uma força de resistência e defesa dos judeus residentes na Palestina.

 
At 13.5.10, Blogger jorge silva said...

a história, como sempre, é escrita pelos vencedores. quando os judeus se começaram a organizar, após a chegada à "terra santa", nunca estiveram com meias medidas quando se tratava de atacar os soldados britânicos que eles consideravam serem uma força ocupante. no entanto qualquer movimento desse género por parte dos palestinos recebe logo os epítetos que já sabemos.
os palestinos chegaram a ser, entre os povos árabes, aqueles que melhor formação tinham, sendo que a maioria dos jovens frequentava sempre o ensino superior, hoje são animais enjaulados com a educação obviamente em queda. qual foi, em grande medida, o resultado da política de ghetto israelita? o crescimento em força do hamas nos territórios ocupados que, por actuarem quase como a segurança social dessas zonas, acabaram por ter um apoio cada vez maior da população.

 
At 13.5.10, Blogger Scometa said...

E o pior de tudo é mesmo a sublevação dita religiosa que se produz num ambiente desse tipo. Ou seja - numa terra ocupada, derivando daí uma educação baixa, com todo o tipo de factores de destabilização socio-económicos, irá invariavelmente produzir extremismos religiosos, que se extendem por toda a região. As facções moderadas palestinianas tendem a ser neste momento muito reduzidas, e é compreensível. O povo judeu (não propriamente o povo israelita) tem neste momento um ódio imenso para canalizar. No fundo, ser o povo escolhido não é fácil.

 

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