22 novembro, 2010

Não é assustador?

"One day soon, you will log into Facebook and a 'choice feed' will tell you what to do with your day. You won't have to push a button or type in some kind of query -- you will simply load up Facebook.com and there, in bold type, your choice feed will tell you what choices to make for the next 24 hours. Wear these clothes; take this route to work; don't say Hi to Richard, he's a dick; buy your boss a birthday present -- and so on. You won't hesitate in following Facebook's choices because they'll feel completely right; they'll feel just like your own choices, only they're not -- they're a computer's."

(...)

"You will be given the choice of opting out, of course. But think about it: can you see yourself leaving Facebook today? Now fast forward a few months, a year. Imagine what it will be like once all of your communication goes through Facebook; quitting won't be an option."

O artigo completo está aqui. Podia considerar esta visão futurista como utópica, mas não anda assim tão longe da verdade, pois não? Eu não tive hi5, myspace, não tenho Facebook e continuo sem vontade. Arrepio-me quando vejo pessoas a viverem vidas paralelas nestas plataformas esquecendo-se daquela que realmente interessa. Mas imagino que o futuro até passe por algo semelhante, só não quero fazer parte dele.

No monte da mesinha de cabeceira: Guy Debord - A Sociedade do Espectáculo

19 Comments:

At 22.11.10, Blogger Pedro Nunes said...

Também não tenho facebook, nem qualquer outra rede social. Uso o gmail para os contactos mais próximos e importantes (o email continua a ser a minha ferramenta preferida). Quanto ao futuro nunca se sabe, neste momento veria-me apenas a usar o facebook por razões comerciais, por via de uma empresa...

pedro nunes

 
At 22.11.10, Blogger amebix said...

Eu também sou daqueles que não tem uma página do facebook.
Quano ao Guy Debord,foi daquelas leituras que na altura me confirmaram tudo aquilo que eu já sentia em relação a sociedade em que vivia,claro que na altura da edição do livro as ideias nele presentes faziam ainda parte duma pequena minoria,hoje em dia já não existealma que questione a força do consumo de produtos possui nas nossas vidas.Nesse aspecto(situacionismo)a antigona tinha um livro com artigos da revista dos situacionistas que é muito bom.Os nossos lideres e empresas criaram uma disneylandia para adultos,por trás do parque de diversões milhares morrem a fome e de malaria,mas eu tennho que ir pois quero ir a sapateria comprar uns sapatos que vi joe na montra.

 
At 22.11.10, Blogger Frank said...

Well. Tenho conta facebook mas apenas uso para amigos que já conheço. Umas amigas que já não via exactamente há 10 anos "descobriram-me" recentemente. È uma daquelas coisas que depende inteiramente no uso e bom senso do próprio utilizador para não se tornar em algo negativo.

 
At 22.11.10, Blogger André Forte said...

O Debord e alguns situacionistas acertaram em tudo o que disseram, infelizmente para nós. Até nas críticas dele (ou que se pensa serem dele) à forma como se comia estão super-actuais.

Há ainda uma fase em que ele acreditava que podia mudar o mundo, na Internacional Letrista, antes da IS, com críticas super-interessantes ao consumo e aos media. Há um livro que compila textos da malta dele nessa altura, o Potlatch, editado na Fenda.

Aliás, essas editoras mais independentes têm sempre alguma coisa destas boas pessoas, que previram as voltas que o mundo ia dar há mais de 50 anos. A Antígona, a Fenda, a Frenesi, etc.

 
At 22.11.10, Blogger Scapegoatt said...

E eu a pensar que era o único que não timha facebook :P Uso apenas o myspace pelos motivos obvios. Acho uma boa ferramenta para encontrar bandas interessantes.

 
At 23.11.10, Blogger Crestfall said...

Eu tenho Facebook. O Marx tb acertou em quase tudo o que disse e já morreu há bem mais tempo :p Pior que o Facebook são os bancos. Desses sim, vivemos todos dependentes.

 
At 23.11.10, Blogger jorge silva said...

eu tenho facebook, myspace, blog, galeria numa comunidade de fotógrafos e mais o que me der na gana. se alguém é estúpido o suficiente para aceitar que alguma rede social lhe diga o que fazer então é porque merece ser "pau mandado"! é engraçado estarmos para aqui a conversar no ciberespaço enquanto fazemos de conta que somos luditas, não?! a tecnologia é o que quisermos fazer dela. não precisam de pôr toda a vossa informação íntima no facebook nem andar sempre a usá-lo para cuscar a vida dos outros! qualquer destas plataformas e qualquer destas novas formas de contacto tem bons e maus aspectos, cabe a cada um ter inteligência e discernimento para os usar. já agora, alguém se preocupa com o facto da proliferação de emails reduzir o número de postos de trabalho nos correios? sim, estou a exagerar, vocês não?!

 
At 23.11.10, Blogger André Forte said...

O mais que o Debord fez foi "corrigir" Marx :P Basta ler a primeira frase da Sociedade do Espectáculo para perceber que o Fetichismo da Mercadoria e a Alienação do Trabalho foram cruzadas na crítica Situacionista :)

De qualquer forma, o Facebook pode tornar-se uma verdadeira perda de tempo. É distractivo. O melhor que fiz foi, realmente, deixar de levar o meu a sério.

 
At 24.11.10, Blogger Pedro Nunes said...

Depois da crítica à proliferação dos emails contribuir para menos postos de trabalho nos correios, vem o quê? Que os correios contribuem para dar cabo do ambiente...

Não tenho nada contra outras pessoas usarem o facebook, sei perfeitamente que existem pessoas que sabem dosear as coisas e não andam propriamente com a internet atrás de si para todo o lado. Eu sei porque não uso, simplesmente porque não vejo vantagem em estar diariamente a levar com actualizações da vida de outras pessoas, e porque se por vezes tenho dificuldade em gerir um grupo pequeno de amigos, em encontros reais, de que me vale ter o dobro ou o triplo numa plataforma informática? Também por uma questão de tempo, prefiro estar a semana toda concentrado em projectos e estar no fim de semana com alguém a tomar um copo, acho mais reconfortante de que estar diariamente a saber que essa pessoa tirou uma foto ao gato na terça, que fez upload de um vídeo do gato na quarta, e que fez uma montagem de uma foto do gato na quinta, na sexta caiu em cima do gato e partiu-lhe o rabo...

 
At 24.11.10, Blogger Vera Viana said...

serei só eu a achar irónico que estas questões e comentários sobre o facebook e as redes sociais se estejam a processar através de um blogue?
há montes de pessoas que utilizam os blogues como diários íntimos e milhares de outros que os devassam...
neste, por exemplo, colocam-se questões e discutem-se coisas interessantes. cada um é que sabe o que lhe mais interessa, ou não?
várias pessoas publicam as fotos dos gatinhos e o que lhes acontece - mas o que é que eu tenho a ver com isso? não é para isso que tenho facebook, blogues ou site!

discute-se aqui, segundo uma perspectiva pseudo-intelectual (e ainda que o Guy Debord seja intemporal), o que já se tornou indiscutível, provando que estamos, como sempre, desfasados da realidade...
se o objectivo desta discussão for o de alertar quem ainda não sabe o que são, realmente, estas novas formas de comunicação, que o seja. a avaliar pelo que conheço (a partir do blogue, facebook e do imprescindível contacto humano), há muita gente que, estranhamente, ainda não sabe...

 
At 24.11.10, Blogger Adriano said...

Confunde-se um pouco função com forma nas redes sociais, e é normal pois se na vida real já sabem com que amigo é fixe beber um copo, qual vos dá boa música e qual vos sugere bons filmes. No facebook é tudo isso à escala global. Gatos e pielas? Valorizem ou ignorem, mas não percam a oportunidade de ir aprendendo como o mundo vai evoluindo digitalmente.

O facebook é como uma TV, vejam apenas os canais que vos interessam, com o pacote vem mais do que precisas.

 
At 24.11.10, Blogger jorge silva said...

pedro nunes, eu fiz uma crítica exagerada propositadamente e assumi-a como tal. o que se passa é que, para cada avanço tecnológico, há sempre alguém a alertar para isto e para aquilo e que agora é que vamos perder o direito à privacidade, etc. e tal. se olhares para a história da humanidade vês que esta conversa já foi aplicada a sei lá quantas coisas e está gasta. há também sempre aquela situação de pessoal que acha "cool" estar contra os avanços tecnológicos por uma questão de elitismo bacoco - é a fotografia digital que veio facilitar isto, é a edição gráfica que veio facilitar aquilo, é o fazer música em casa que baixou a qualidade daqueloutro, enfim...

 
At 24.11.10, Blogger Vera Viana said...

para já não falar do chique que é não usar telemóvel, num mundo em que quase toda a gente tem... não és obrigado a tê-lo, claro, mas sabes, propositadamente, que vais dificultar a vida às pessoas que têm de comunicar contigo sem ser para as conversas triviais (e voltamos a falar da função que atribuímos ao que utilizamos).

quando apareceram os CD's, algumas pessoas continuaram a ter só vinil - ok, o som é diferente, único e tal - mas a qualidade não se compara à dos Cd's; idêntica discussão se pode ter com as VHS e os DVD...
talvez não seja má ideia procurarmos pelos cartuchos dos anos 70, esses é que tinham um som altamente... e escrever com aparo, então?

 
At 24.11.10, Blogger Tiago said...

Avanços tecnológicos à parte, é bem mais importante a forma como evolui a mentalidade das pessoas do que a evolução técnológica, e isso sim, preocupa-me, continua-se a ver preconceito e por aí e uma série de aspectos negativos nas pessoas, tirando as naturais excepções, claro.
Temos altos telemóveis, altos carros, altos computadores, etc. E é incrível como se demora tanto e evoluir mentalmente.
E vê-se as pessoas distraídas a mais com estas coisas e não dão o valor à realidade, vivemos na época em que toda a gente quer ser ouvida e dar nas vistas, muitas vezes só porque sim, com banalidades. Muitas vezes fico parvo como pessoas passam um concerto inteiro a fotografar e não estão a viver aquele momento, e depois vão para a internet mostrar as fotos, e às vezes até é chato para outras pessoas que estão à sua volta, uma ou outra tudo ok, agora acho um exagero.. Também me mete impressão levarem as redes sociais demasiado a sério, vivem o que se passa ali, como se fosse a vida a sério. Como disse bem ali o André Forte, não é para levar assim tão a sério.

Eu pessoalmente não tenho facebook, mas por opção própria, não tenho pachorra para isso, agora. Já tive myspace ou hi5, e não é algo que procure agora. Nada contra quem tenha, há que reconhecer o impacto das coisas. Mas isto é como tudo na internet na sua generalidade, tem coisas porreiras e outras que não interessam ao menino jesus. Cabe a cada um dar um bom uso racional e com senso.

 
At 24.11.10, Blogger ::Andre:: said...

Nunes: completamente de acordo, não troco isso por nada e a própria Vera e o Jorge (essa do ludista foi exagerada) sabem disso. É uma questão de vontades e de lidares com a situação como quiseres, de saberes filtrar e estar. O artigo, a causa do tópico e não o próprio Facebook, é muito realista e repito: assustador.

 
At 24.11.10, Blogger jorge silva said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 25.11.10, Blogger jorge silva said...

andré, a dos luditas foi exagerada, assim como, já o disse, a dos emails. eu gosto de exagerar para provocar, para levar a pensar. é claro que, se me ouvissem a falar, o sarcasmo seria mais notório, escrevendo talvez não passe tão bem.
nos tempos do mirc eu via malta a assumir identidades paralelas e a viver essa fantasia como se fosse algo muito bom. desde aí surgiu muito mais coisa mas há sempre aqueles que continuam a querer a ilusão. serão provavelmente os mesmos que aceitarão as directrizes do facebook e as acharão muito boas. eu, pela parte que me toca prefiro o contacto humano obviamente, quem não o preferir tem problemas sérios!
há anos atrás eu via pessoal a usar computadores para criar publicações onde defendiam o neo-primitivismo e o manifesto do unabomber e achava isso hilariante. são o mesmo tipo de pessoas que hoje agitam demónios em relação a tudo e mais alguma coisa destes temas. o facebook está em grande agora mas, como tudo na net, morrerá. outras coisas irão surgir, novas vozes se irão levantar contra o que aí vem e por aí adiante. não haverá nenhuma nova forma de interacção digital que não venha a provocar críticas porque haverá sempre o risco de abusos e haverá sempre quem nem sequer entenda que está a ser abusado. há quem exponha a sua vida online e não ache nada de errado nisso, há quem se meta a criticar o lugar onde trabalha no facebook e depois não entende porque sofre retaliações, há quem diga que está doente e depois meta fotos de si em festas para toda a gente ver.
isto é um facto, conforme evoluímos a par destas tecnologias evolui a nossa forma de vivenciar o que nos rodeia. agora é completamente banal irmos para a festa de natal dos nossos filhos e ficarmos o tempo todo de câmara na mão a filmar, é normal sacar da máquina fotográfica e registar o que nos rodeia. quando a kodak criou a primeira câmara de rolo de produção massiva o intuito era que toda a gente pudesse registar tudo o que quisesse em qualquer momento. é assim tão diferente do que vivemos agora? quando se criou a imprensa o objectivo era tornar os livros, que dantes eram manuscritos, muito mais acessíveis. a internet é apenas mais um patamar de tudo isto, são os quinze minutos do warhol!

 
At 25.11.10, Blogger Scometa said...

Eu não acho o artigo assustador. Acho assustador que as pessoas se possam deixar manipular pelas sugestões de uma rede social. Mas atentemos ao epíteto "rede social". O Homem, o ser da relação, existe para os outros muito antes de existir para si. Por muito grandes ou pequenos, inserimo-nos sempre em grupos sociais, identificamo-nos com isto e aquilo, e sem os grupos sociais não somos nada. Aliás, somos animais, como todos os outros.

O facebook é um grupo social, é um local que estabelece modas, que permite inclusões, bullying, namoro, emprego, etc. É um mundo dentro do mundo, e é a forma natural de evolução de uma sociedade como a nossa.

O problema da singularidade ou da tomada de consciência de uma inteligência artificial já foi debatida muitas vezes. O que falta verdadeiramente a este debate é algo que sempre foi e sempre será intrínseco ao ser humano: há os pastores e há os rebanhos. E depois há sempre aquela meia dúzia de ovelhas negras que escolhem outro caminho. Isto é history repeating. A única coisa que muda são os processos de controlo.

Mas a democracia tem, na génese, a fórmula para fugir ou aceitar esse controlo. O conhecimento faz tudo.

 
At 27.11.10, Blogger Pedro Nunes said...

Aquilo que postei em blogs teve uma vertente informativa, não acho comparável ao facto de algumas pessoas terem a sua vida pessoal toda chapada numa rede social (estatísticas revelam que 20% dos utilizadores não têm a sua conta protegida).

As minha visão do facebook diz respeito à minha vida, não tenho qualquer outra pretensão crítica em relação ao mesmo. A saída foi sobretudo devido ao que eu precisava no momento, de mais produtividade, mais tempo para curtir o ar livre e do que queria das minhas relações de amizade.

Não me vejo como um resistente ao avanço tecnológico, simplesmente faço escolhas em função do que preciso. Sobretudo nos meandros das tecnologias, todos os dias revelam-se novos caminhos, novas modas, não posso nem devo papar tudo. Existem coisas que foram feitas atrás que ainda me servem, mail vs facebook, python vs ruby, gchat vs msn etc. etc.

Subscrevo um pouco as palavras do Tiago. Algumas pessoas estão nas coisas porque sim, porque algum ser superior as empurra para ali e não há a preocupação de retirar algum significado de tal decisão ou perceber quais os objectivos de todas as horas passadas a olhar para o ecrã do computador. Existe um conceito chamado o de "não-lugar", como quando vamos numa auto-estrada, apenas percorremos alcatrão para chegar a alguma lado (não há nada para ver, nada para sentir, resta-nos acelerar…) Algumas páginas do facebook parecem-me o mesmo...

Toda esta discussão pode ser lida como um conjunto de exageros, até porque há pessoas que gerem muito bem a sua presença em redes socias e isso é óptimo. No entanto não posso deixar de reparar nos grupos de amigos que se juntam nas mesas de cafés com os computadores ligados no facebook e nas quintas etc, deixando de conversar com os corpos e copos ali tão perto…

Agora se tivesse uma empresa, certamente que iria pescar mexilhões nas redes sociais…

 

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