09 junho, 2011

Tupelo

Há cerca de dois anos acabei por estar umas horas numa terra no Mississippi chamada Tupelo. Nunca mais lá voltei, mas acabo por me lembrar com regularidade da experiência de lá ir. Tupelo fica afastado da estrada interestadual que liga New Orleans a Memphis, cerca de hora e meia para o interior, e o motivo do desvio foi eu querer no dia seguinte ir ver Oxford, uma pequena cidade universitária criada à imagem da homónima Inglesa, conhecida por ser sítio para onde Faulkner se mudou aos cinco anos com a família, e onde passou mais tempo durante a vida.
Tupelo é conhecida por ter sido o sítio onde nasceu um rapaz chamado Elvis Presley. Não que eu seja particularmente apreciador, mas dada a proximidade do local, e numa zona pouco habitada haver pouco para fazer, resolvemos por volta das dez da noite, fazer um desvio até Tupelo para passar lá a noite.


Até lá chegar eu não sabia nada sobre o local, e aquilo que me ficou na memória foi a calma que se sentia no sítio. Pelo número de habitantes, eles estão espalhados pelos arredores. A rua principal, uma main street típica das antigas cidades Americanas, foi onde encontrámos o primeiro pedaço que liga a cidade a Elvis, de quem não se vêm marcas na cidade. Não sei se para não atrair multidões de turistas, ou se por ser deslocado do circo de Graceland, não há indicações na cidade relativamente a ele.


Foi nesta loja de ferramentas e outras coisas que o Rei comprou a primeira guitarra, oferecida pela mãe, e existe ali uma pequena peça de cartão a indicá-lo. As ruas estavam vazias, por isso decidimos ir então ver a casa onde ele tinha nascido.


Chegar lá, não é fácil, apesar da proximidade da rua principal, praticamente não há indicações, mas o espaço que se revelou em frente aos nossos olhos foi algo mágico. Para além da casa, existe um antigo carro de Elvis, uma pequena igreja e uma casa de apoio. Não faço ideia da quantidade de pessoas que recebe durante o dia, mas naquela hora da noite, fomos as únicas pessoas no local, onde nos demorámos, apesar da quantidade de insectos no ar, típicos das noites do Sul.


Como eu disse, não sou nenhum fanático do Elvis (tirando gostar da Wonder of You, pois é a música com que o meu clube de futebol entra em campo), mas respeito a figura. Ao estar ali no sítio onde nasceu, e principalmente por ver o nível de obsessão a que chegam as pessoas com ele em Graceland e outros sítios, ganhei um novo respeito. Toda a envolvência da casa é de uma simplicidade extrema, e apesar de ser a figura que revolucionou a indústria de entretenimento, o que se sente ali é estarmos num espaço de uma família simples, se é que isso é possível.


A figura que associamos ali é a de um rapaz, que cresceu numa casa construída pelo pai e que tinha vontade de realizar todos os sonhos. Até pelo diferente período em que ele nasceu e a maneira como ele alterou o mundo de tanta gente, sente-se uma pureza no ar, algo de idealístico que ali se revela.


Ao estar ali sentado no banco da entrada, senti-me de alguma maneira conectado a essa personagem, e tal como disse, é um espaço que acabo por revisitar mentalmente quando tenho de me posicionar em termos de objectivos e que no caos porque algumas vezes estou rodeado, me faz pensar naquilo que realmente importa na nossa construção.

3 Comments:

At 9.6.11, Blogger ty said...

http://www.youtube.com/watch?v=oSl4KX7zBTQ

:)

 
At 9.6.11, Blogger ::Cardoso:: said...

Boa Ty!!! Nick Cave no seu melhor. O Firstborn is dead era um disco genial.

 
At 9.6.11, Blogger Neuroticon said...

Gostei muito deste post!
Primeiro, porque tal como o Ty me lembrei logo da música do Cave!
E é engraçado que o Firstborn Is Dead é muito centrado no Elvis sendo até esse título uma referência ao irmão gémeo dele, que nasceu morto.

Depois, gostei muuito deste post também pela referência á música The Wonder Of You, que é a música com que o NOSSO clube entra em campo \m/

 

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