18 abril, 2011

Fidelidade...


Desde cedo que a música me fascinou e me marcou. Acho que desde sempre, e sem querer mostrar qualquer tipo de pedantismo, ouvi coisas que não eram própriamente a regra-padrão.

Com isto não quero dizer que a minha audição de discos se rege pelas coisas mais estranhas, mas sim que, de acordo com as variáveis sempre estive um bocado á margem. Vão já ver que não há pedantismo. Sentia-me á parte quando os meus amigos da primária ouviam Onda Choc e eu já dissecava um infame disco grunge de 93, com 9 anos. Não é algo completamente diferente, mas dadas as condições, idade, viver numa aldeia do interior, ter pouco acesso a informação, tem que se lhe diga.

Fui sempre vivendo assim, e tal como acontece convosco (acredito na grande cultura e curiosidade musical de todos os que frequentam o tasco), poucas vezes encontro pessoas que gostem da música que eu gosto. Não vou com Dream Theater, odeio Muse e acho os Kasabian infinitamente maus. Mas isto são exemplos e poderiam ser muitos outros...

Onde quero chegar é, a música apesar de ser a grande paixão nunca me trouxe grandes vantagens (a não ser o prazer de a ouvir) como por exemplo as sociais...

Gosto de tudo, e isto é verdade, mas ao mesmo tempo, muita gente diz que sou esquisito e que não gosto de nada :)

Como é com vocês? Ouvir determinado tipo de música trouxe recompensas? Não trouxe? Ou isto não interessa para nada e o importante desfrutar dela?


É um post inconsequente, mas típico daqueles nerds tipo John Cusack em High Fidelity...

8 Comments:

At 18.4.11, Blogger nelio de sousa said...

Ouvir música é um acto solitário, comparado a ler um livro.

Implica subjectividade, emoções, atitudes, vivências, contexto, uma cultura.

O acto de ouvir é ainda mais solitário quando a música que ouvimos cai fora dos padrões mainstream de consumo. Daí as poucas vantagens sociais... Não é por aí que nos tornamos populares... Mas pode ser que até atraia o interesse das raparigas mais fixes :)

As coisas são como são e temos de ouvir e gostar da música que ouvimos sem muitas vezes haver lugar para a partilha, a não ser com alguém dentro da mesma cultura ou gosto. E são poucos à nossa volta, sobretudo em zonas não urbanas.

Quanto ao resto da malta não vale a pena pregar e tentar mostrar a luz...

Se houver alguma curiosidade ou predisposição ou abertura a experimentar certas sonoridades, aí podemos partilhar e dar umas dicas para animar a descoberta :) Mas esso procura do alternativo raramente acontece... A busca do que é imediato e popular é mais fácil e confortável.

Abraço,
nelio
(Madeira Islands)

 
At 19.4.11, Blogger ::Andre:: said...

Não sei se concordo.. Dessa procura de música que me enchesse a alma nasceu uma Amplificasom. Nessa mesma Amplificasom tu encontraste um espaço onde as pessoas partilham não só os mesmos gostos mas também pensamentos e formas de estar e hoje és uma das pessoas que por aqui postam. Se se enquadra nessa "prateleira" de vantagens sociais só tu podes avaliar, mas a verdade é que ao fim do dia o que realmente importa é a música.

 
At 19.4.11, Blogger ::Andre:: said...

No meio de centenas de pessoas num concerto ou em casa sozinho "isto não interessa para nada e o importante é desfrutar dela."

 
At 19.4.11, Blogger nelio de sousa said...

Um espaço de encontro, troca e partilha como o Amplificasom é sem dúvida uma vantagem social decorrente do interesse pela música e da audição de música. O post falava das poucas vantagens sociais num âmbito mais alargado, fora de uma dada cultura musical.

O Amplificasom é um meio de comunicação que ajuda precisamente a atenuar o tal acto solitário de ouvir música e a criar / amplificar uma comunidade em redor de uma dada cultura musical.

Por mim falo. Oiço hoje algumas bandas e músicos graças à partilha e divulgação aqui no Amplificasom. Essa troca motiva a ouvir música.

 
At 20.4.11, Blogger vera viana said...

ainda que não tenha sido esse o propósito inicial, é inegável que ouvir música "diferente" (para os outros), pelo desfasamento em relação ao mainstream, nos impulsiona a um certo afastamento dos demais e determina, em última instância, uma certa dose de inadaptação ao nível dos relacionamentos sociais.
Não sei se, a certa altura da minha vida, esse até não terá sido um dos contributos para uma mais desejada aproximação das vertentes mais extremas (e, novamente, para os outros) da música. Acho que a possibilidade de, de certa forma, nos podermos diferenciar da multidão sempre foi uma das mais- valias da música, associada à maior de todas, que é o próprio prazer de a ouvir e de a sentir como nossa.
Lembro-me de, nos anos 80, chatear colegas que adoravam coisas horrorosas como os Take That e de eu lhes mostrar Venom e explicar porque é que eram muitíssimo melhores (embora elas nunca quisessem perceber as minhas certezas).
Desde então, não só os gostos foram refinando (agora já não ouço Venom, por exemplo, e continua a haver quem me considere [cada vez mais] "esquisita") e, felizmente, toda a música foi evoluindo.
Há décadas atrás, nem se pensava que algum dia grupos de metal pudessem ser muito vendáveis ou sequer integrar top's de vendas. Concertos eram uma miragem, sendo que esta é uma das coisas que acho mais importantes ao nível da evolução musical, do país e das mentalidades - e a esse nível, muito temos de agradecer à visionária Amplificasom, por tudo o que tem feito e proporcionado!
E nem vale a pena referir a fantástica possibilidade de podermos trocar impressões e partilhar músicas por este blogue, apenas porque tudo isso se insere nas possibilidades revolucionárias que os computadores e o acesso à Internet nos permitiram...
Mas permanece, contudo, e apesar de todas estas possibilidades de partilha, o distanciamento dos outros e uma certa alienação social - mas talvez este tenha sido, desde sempre, um dos bons pontos de partida...

 
At 21.4.11, Blogger Mafarrico said...

eh pá eu vivo em Matosinhos e, como não tinha amigos musicalmente informados (ou curiosos), nem 'arriscava' a apanhar autocarro para o Porto, tinha também fontes bem limitadas quer de música quer de informação a ela respeitante, por isso entendo bem o que é viver numa "aldeia". mas vivo com nostalgia estranha esses tempos em que tinhamos que dissecar tudo por ser tão pouco

 
At 21.4.11, Blogger Neuroticon said...

Mafarrico, como te percebo!
Essa nostalgia é recorrente em mim...
Agora a música chega-nos ás toneladas e não conseguimos prestar atenção a 99% disso... Antes tínhamos pouco mas era com muito prazer que degustávamos qualquer arranjo ou frase pela milésima vez... :)

 
At 26.4.11, Blogger MaN said...

Ola,

acompanha este blog desde que morava em Franca, muito bom espaco para os amantes de boa musica.

abracos do Brasil

 

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