07 maio, 2011

Legalizar ou não legalizar? Eis a questão.

Hoje marchou-se mais uma vez a favor da legalização da canabis. Na minha opinião, sou totalmente a favor. Rejeito veementemente argumentos moralistas sobre o perigo das drogas, quando álcool e tabaco são vendidos legalmente e com prejuízos para a saúde bem piores que o afamado charro. Rejeito da mesma forma o argumento de que um paiva é meio caminho andado para outro tipo de drogas, como se não fossem outras questões de ordem sociológica que levam as pessoas a enveredar por esse caminho obscuro da dependência das drogas duras. Mais, a sociedade de hoje está de tal forma educada que não é por se legalizar este tipo de droga que vamos passar a ter as nossas ruas pejadas de pedrados. Vamos ter o mesmo número de pessoas a fumar, diminuir consideravelmente o tráfico associado à canabis (será esta uma das razões para ainda não se ter legalizado a dita cuja?), e um aumento no consumo de bolos nas pastelarias, porque as munchies deixarão de ser clandestinas. Finalmente, quem fuma sabe que esta droga não causa qualquer dependência física, há sem dúvida uma dependência psicológica mas facilmente ultrapassável.

Estas são algumas das minhas razões a favor, mas gostava de saber quem mais se pronuncia a favor ou contra.

16 Comments:

At 7.5.11, Blogger ruicarvalho said...

eu nem coloco assim a questão.... fuma quem quer e o que quer.... é assim há mais de vinte anos.........e não tou "tolinho".... nem nunca fumei tabaco...

 
At 7.5.11, Blogger L. Vales said...

http://en.wikipedia.org/wiki/Harm_principle

 
At 7.5.11, Blogger Carlos said...

Pessoalmente não entendo muito bem a cena, mas não vejo que problemas possa trazer para quem não consome. A mim também me preocupam muito mais os riscos do álcool por exemplo, para quem o consome, assim como para os demais, e esse ninguém o proíbe.

 
At 7.5.11, Blogger  said...

O universo de consumidores de marijuana é composto essencialmente por jovens, jovens esses que provavelmente iriam continuar a recorrer ao anonimato inerente ao tráfico, independentemente do estatuto legal da droga.

E a minha experiência pessoal (que não pode ser usada para generalizações na matéria, mas creio ser mais ou menos representativa) diz que pessoal que envereda pelo consumo excessivo de marijuana não recupera assim tão facilmente da dependência psicológica, ficando mesmo com algumas sequelas a nível cognitivo.

Além do mais, e enorme maioria do pessoal que fuma está-se pouco lixando para esta questão. O consumo é despenalizado e a droga fácil de arranjar. Como tal, tudo isto parece-me uma questão menor sem grande espaço para debate, pelo menos em Portugal.

Por estas e por outras, eu sou contra.

 
At 7.5.11, Blogger Neuroticon said...

"que pessoal que envereda pelo consumo excessivo de marijuana não recupera assim tão facilmente da dependência psicológica, ficando mesmo com algumas sequelas a nível cognitivo" Concordo. A minha experiência diz o mesmo, para pessoas que consomem excessivamente.

Eu não sendo consumidor sou a favor da legalização, que acho que levaria a beneficios económicos por parte do estado.

 
At 7.5.11, Blogger Muzack said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 7.5.11, Blogger Pereira said...

Eu concordo com a legalização de tudo,por principio. Cannabis incluído.

 
At 7.5.11, Blogger Carlos said...

Os riscos do consumo excessivo são da responsabilidade de cada um, não do estado. Não é só a droga que faz mal quando é consumida em excesso.

 
At 8.5.11, Blogger Scometa said...

A ideia da legalização era acabar com a despenalização. Impostos controlados sobre o consumo, consumo controlado por dose, e penas mais pesadas para o tráfico ilegal. Aumenta-se o ónus sobre o consumo ilegal, apela-se ao consumo responsável e contribui-se para a banalização do consumo dessa substância, sendo que istp poderia efetivamente fazer diminuir o consumo.

 
At 8.5.11, Blogger Scometa said...

Zé, quanto ao Universo de consumidores, enganas-te. Há 20 anos era consumido por jovens, agora é consumido por jovens e gajos na casa dos 40 que eram jovens há 20 anos. A grande diferença é que quando és jovem tens tendência para os excessos em tudo, enquanto que quando amadureces sabes apreciar as coisas e tornas-te mais responsável. Sabes que não deves beber uma garrafa de vinho por dia, mas um copo faz-t bem; sabes que não deves fumar 10 charros por dia, mas um á noite ou ao fds só te ajudam a relaxar.

O harm principle é um dos princípios políticos mais civilizados que existem. Só não resulta porque as pessoas confundem bem-estar com egoísmo.

 
At 8.5.11, Blogger Ricardo Fernandes said...

há ainda uma questão inerente ao tráfico ilegal: a qualidade dos produtos. tal como acontecia com a lei seca nos EUA, a matéria é misturada e adulterada com outras substâncias com resultado bem mais nefastos para a saúde do que a droga em si.

 
At 9.5.11, Blogger João Veiga said...

era legalizar e acabar com a merda do tráfico...
Por outro lado, o pessoal que consome isso vindo sabe-se lá de onde, também devia era ter dois dedos de testa e deixar-se de merdas e pensar bem na quantidade de gente que já mataram e vidas que destruíram, só para poderem mandar uns bafos... :\

uma coisa muito positiva acerca deste post: ainda não vi aqui ninguém a falar das "terapias" da treta que curam o cancro e não sei quê :P lol

 
At 9.5.11, Blogger Carlos said...

Nunca ouvi falar de ninguém que tenha morrido por fumar marijuana, nem sei até que ponto isso é possível.

 
At 9.5.11, Blogger Scometa said...

João, a marijuana é mesmo recomendada para ajudar a ultrapassar efeitos secundários da quimioterapia, como os vómitos.

 
At 11.5.11, Blogger João Veiga said...

eu qd falei em matar, estava a falar do tráfico e toda a porcaria relacionada com isso. Aliás, tudo o que escrevi era só relacionado com o crime que gira em volta do tráfico que, por sua vez, só existe porque há quem recorra ao dito.

Scometa, e como é que ajudar a não ter tantos vómitos cura o cancro? :P Eu estava a referir-me àquelas seitas quase que andam aí a pregar que existe uma cura do cancro mas que a indústria farmaceutica não deixa bláblá :)

uma utilidade possivelmente interessante do HTC (das poucas que vi até agora) é mesmo tentar dar a volta à anorexia, mas mesmo isso tem efeitos secundários demasiado fortes para poder ser viável. Pelo menos por enquanto

 
At 12.5.11, Blogger Scometa said...

João, não sei se percebi muito bem onde queres chegar com isso das terapias da treta, ou melhor, qual a relação disso com a marijuana, porque nunca ouvi ninguém dizer que a marijuana cura o cancro.

Quanto à questão de ajudar com os vómitos, sabe-se que um dos combates contra a doença é psicológico, e nem deves imaginar o quão psicologicamente ajuda não ter vómitos durante um tratamento desses.

 

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