11 maio, 2011

Pina

Pina Bausch foi uma das mais importantes coreógrafas e bailarinas da dança contemporânea. Deu-lhe uma nova dimensão, sentimento, desejo, dor. Wim Wenders, compatriota e amigo, é um dos cineastas mais respeitados do mundo.

Desde os oitentas que os dois pensavam em colaborar, mas Wenders sabia que as peças de Pina, conhecidas pelas histórias sobretudo sobre a solidão e o amor, tinham uma liberdade e vivacidade difíceis de captar na tela. Tal só fez sentido, anos e anos depois, quando o realizador de As Asas do Desejo viu o primeiro filme 3D telefonando-lhe ainda dentro da sala de cinema. Fez as malas para captar imagens da tour asiática e sul-americana na tentativa de dar origem a um documentário até que Pina nos deixa aos 68 vítima de um cancro que fora diagnosticado cinco dias antes.

Pouco tempo depois, em Wuppertal, sede do Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, Wenders com a colaboração da companhia de dança criaram uma das maiores e inesquecíveis homenagens cinematográficas a que já assisti. Foi domingo, na ante-estreia e com a presença de Dominique Mercy, figura indissociável de Pina e da companhia.

São cerca de duas horas em que algumas peças, de Le Sacre du Printemps que nos agarra desde o início a Café Muller (lembram-se de Hable com Ella de Almodóvar?) ao épico Vollmond, são recordadas de forma sublime tanto em palco como em espaços na cidade. Pelo meio temos vários dançarinos partilhando alguns comentários sobre a sua relação com Bausch sempre na sua língua mãe (alemão, brasileiro, espanhol..) sublinhando também assim a universalidade do seu trabalho onde sua linguagem era a do corpo.
Estreia amanhã em várias salas e excepcionalmente dia 14, sábado, correrá o país por isso todos teremos a oportunidade de o ver ou rever. Não está em causa gostar-se ou não de dança, mas sim de arte. Confesso-me leigo e no entanto arrepio-me com os movimentos de um espectáculo de dança contemporânea e experimental como se de um riff de um concerto se tratasse.

Fica a recomendação, fica a sugestão para que não se perca este filme no cinema pois faz toda a diferença na hora de o apreciar, é um experiência nova. Se o Avatar marcou a era 3D do entretenimento, este marca a era do filme de arte em 3D. É um elogio cinematográfico à arte de Pina.

9 Comments:

At 11.5.11, Blogger Hélder Costa said...

Vão estar duas peças dele no teatro S João

http://www.tnsj.pt/home/espetaculo.php?intShowID=304

 
At 11.5.11, Blogger priscilla fontoura said...

Alguém a falar de Pina Bausch oh yeah! Referiste logo o princípio do Fala com Ela com o Café Müller sim sr! Estou ansiosa por ver este novo do Wim Wenders.

 
At 11.5.11, Blogger Tiago Esteves said...

André, tens que vir ver um espectáculo da Catarina. Ela faz dança contemporânea ahaha

 
At 11.5.11, Blogger ::Andre:: said...

Hélder, esgotadas há muito tempo.

Priscila, vais adorar!

Tiago, a sério? Quando for a Lx avisa-me!

 
At 11.5.11, Blogger Tiago Esteves said...

A sério lol Ainda a semana passada dançou em Almada. Tinham um grupo de dança contemporânea que se chama Gestos. Neste momento faz parte da escola de dança contemporânea de Almada e fazem espectáculos ocasionais.

Tens que a convidar para fazer um solo de abertura para um concerto no Porto ahahahha

 
At 11.5.11, Blogger Saturnia said...

Está esgotado há tempos...
Engraçado que hoje o google homenageia a Martha Graham

 
At 11.5.11, Blogger Neuroticon said...

Eu penso que este é talvez o objecto cinematográfico a 3 dimensões mais válido até aos dias de hoje. Porque neste caso, o objecto que é a dança com a sua componente do espaço em que se move, aliado ás coreografias apaixonantes de Pina Bausch o torna num filme, provavelmente, incontornável!

 
At 11.5.11, Blogger Susana Quartin said...

Vou ver :).

 
At 12.5.11, Blogger Pereira said...

Tou pa ver é o "cave of forgotten dreams", o doc em 3d do mestre Werner Herzog.Dança não é a minha cena,acho que não gosto de me mexer aha

 

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