06 abril, 2010

Já se sentiram assim?


Ora hoje vou inverter as regras que até agora tenho estipulado para os meus posts. Se até então tenho falado de discos que considero serem essenciais, o que venho por na mesa de discussão é algo que me tem deixado desiludido a cada audição.

Rodeado de expectativas, aura de erudição e majestosidade musical, ainda não sei o que pensar do novo disco de Tryptikon. Não que o considere mau, mas nada de tão bom que justificasse tanto alarido. Ainda por cima tendo em conta que tem sido assumido e publicitado como o sucessor do "Monotheist" de Celtic Frost, que na minha opinião é dos melhores discos desta década (se não o melhor dentro do Metal).

Celtic Frost sempre foi aos meus olhos um marco incontornável dentro do estilo. Desde os tempos da ingenuidade de Hellhammer até ao experimentalismo do "Into the Pandemonium", os tipos sempre conseguiram fazer música captivante, dinâmica e com um factor de risco bem grande dado o meio onde se inseriam, mas nunca soaram... inconsequentes (ok!!! fizeram o Cold Lake!!! Mas com esse eu nem conto!)

Com base nas "liner notes" do disco de Tryptikon, pode-se constatar que uma parte do material presente é material que viria a ser usado no próximo disco de Celtic Frost ou então é proveniente de músicas que não chegaram a ser aproveitadas para o Monotheist. Sinceramente, esse é um dos problemas do disco: cola-se demasiado ao seu antecessor, mas sem conseguir igualar a sua dinâmica desafiadora. O "Monotheist" era um álbum rico em detalhes, difícil por vezes, mas onde a cada audição acrescentava mais um pormenor, mais um elemento; era um disco que conseguia aliar diversas texturas, com um som gigantesco em termos de presença.

"Eparistera Daimones" é bastante mais fácil de ouvir, mas que talvez por isso canse facilmente. Musicas demasiado longas na minha opinião, soluções demasiado previsíveis e quando finalmente cria uma variação na toada geral do disco é para este se perder em devaneios sem sentido. Querem O exemplo disto? Ouçam a "Myopic Empire". Riff básico, mas que é aguentado pela textura vocal bem conseguida e que introduz uma boa variação ao disco (que até à faixa 5 peca pela sua similaridade), mas eis que surge uma secção de piano que nem dá continuidade á musica nem introduz nenhuma dinâmica interessante. É um momento "corta-pica" completamente desprovido de sentido. Nas já referidas "liner notes" é dito sobre esta musica que ja tinha sido rejeitada para o "Monotheist" devido á sua secção de piano. Deixa-me a pensar porquê... hum...

Depois no final ainda levamos com "The Prologing", uma faixa de 20 minutos que não justifica o tempo que tem.

Digam-me: já ouviram o disco? O que acham. Foi só a minha posta de pescada, mas precisava mesmo de desabafar.... É que tenho dias em que Celtic Frost é a maior banda do mundo...

7 Comments:

At 6.4.10, Blogger jorge silva said...

sendo o fã de celtic frost que sou, também estava super curioso com este álbum. eu gosto, mas obviamente não é o "monotheist". tenho-o ouvido algumas vezes e realmente a parte do piano ainda não me entrou. a primeira vez que ouvi essa faixa nem queria acreditar quando olhei para o visor e me apercebi que estava a meio de um tema e não no início, porque a colagem é completamente forçada.

 
At 6.4.10, Blogger Filipe said...

Não é nada do outro mundo, mas gosto.

 
At 6.4.10, Blogger Scapegoatt said...

Eu tb gostei do álbum. O meu tema favorito é mesmo o tema de abertura "Goetia". É qualquer coisa de espectacular. Não sei se a ideia do Tom "Gerreiro" seria uma continuação do "Monotheist". É essencialmente um álbum doom com momentos de experimentalismo (alguns estranhos). É um bom disco.
Conto ver a banda (nem que seja 10 minutos) mt em breve para prestar tributo a um músico de grande influência. Celtic Frost?? Ainda me dói o coração, quando decidiram acabar definitivamente uma semana antes do Roadburn em 2008.

 
At 6.4.10, Blogger - E D G E S - said...

Só ouvi o álbum uma vez e acho que tão cedo não volto a pegar nele, fiquei com a sensação que é um álbum que tenta ser o que o Monotheist foi, mas para mim o que o Monotheist tem e que album de tryptikon não tem é um musico que fazia toda a diferença em Celtic Frost o Martin Eric Ain, para mim tudo o que foi revolucionário e “bom” em Celtic Frost vinha dele e não propriamente do Tom, mas isto é a minha opinião, Cold Lake, Apollyun Sun e agora estes são aventuras do Tom que nunca atingem algo de “bom” quando era ele e o Martin, agora o Martin desapareceu voltou a lançar algo “desinpirado”, isto é a minha maneira de ver as coisas claro.

 
At 7.4.10, Blogger André said...

Falaram aqui da faixa "Goetia". Por acaso acho que acaba por ser a melhor faixa do disco porque é uma faixa que apesar de não ser espectacular, tem impacto! É óptima para abertura. O problema é que o resto não passa de mais do mesmo, excepto pelas tentativas de criar algo menos convencional mas que acabam por resultar em inconsequências.

Reparem no entanto que não quero dizer com isto que o disco é mau. Simplesmente não atinge aquilo a que se propôs ser e tendo em conta que vem de quem vem... doi lol.

Quanto ao Martin Eric Ain, mais que dizer que ele era o cérebro criativo da coisa, eu diria que o que funcionava mesmo bem era o trabalho dele com o Tom. Os bons discos de Celtic Frost foram feitos pelos dois.

 
At 7.4.10, Blogger António Matos Silva said...

não é, de todo, um álbum para se ouvir de um trago. é longo, porventura até demasiado (aconteceu-me o mesmo com o dos Crooked Vultures). mas tem momentos bons, apresenta excelentes ideias para um caminho a seguir no futuro, sem dúvida. acho que os momentos à la monotheist que tresandam no álbum estão lá porque o tomás guerreiro queria pô-los cá fora. se estão bem enquadrados? alguns sim, outros não. acho que vai ser um daqueles casos em que se ama ou se odeia. corre o risco de se estranhar e não entranhar e acabar por passar indiferente a algumas pessoas.
balanço final (imho): é um bom disco de doom. se pensar em celtic frost enquanto o ouço, fica a dever muito aos pontos altos da dita banda. por outro lado, tem boas faixas, boas ideias (até um cheirinho a alice in chains), mas precisa de algum tempo.

 
At 7.4.10, Blogger ::Andre:: said...

Eu gostei (muito) de ler mas não vou gostar de ouvir.

 

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